Adbox

martedì 1 agosto 2017

Como os italianos conseguem se manter o povo mais magro do Ocidente?

Amamos a maioria dos pratos e vinhos italianos. Então, por que somos mais gordos do que eles?


Os italianos não só prezam pela qualidade dos alimentos, como também pela qualidade de tempo para apreciá-los. 

É difícil falar da Itália sem pensar nas deliciosas e tradicionais massas frescas, pizzas, gelatos e lasanhas que ganharam fama mundo afora.

Apesar de o nosso imaginário sobre o país remeter às "mamas" rechonchudas na cozinha com o batido avental branco, o que dá a entender que o país das massas e vinhos incríveis é um país de obesos, os italianos são magros e muito saudáveis.

A Itália é o terceiro país que apresenta a menor taxa de obesidade de todo o mundo, e só perde para os orientais Coreia do Sul e Japão. De acordo com a OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), a taxa é de 9,8% -- bem diferente da taxa dos Estados Unidos, onde 38,2% da população é obesa. No Brasil, mais da metade dos adultos (54,1%) estão com sobrepeso, sendo 20% deles obesos.

Ironicamente, algumas das comidas preferidas dos americanos (e dos brasileiros) são pizza e massas. Então, o que explica o inventor destas obras-primas ser um país de magros e os que "replicam" suas receitas não terem o mesmo destino?

Para início de conversa, as pizzas que tanto conhecemos e adoramos (principalmente os paulistanos) não têm nada a ver com a tradicional -- está mais para a pizza americana. Com bordas recheadas, tamanhos gigantescos, muito recheio processado e massa bem grossa, as pizzas brasileiras são uma explosão calórica, enquanto na Europa, a pizza é mais "delicada", com massa fina, recheios moderados e frescos.


Os alimentos frescos, por exemplo, são um dos motivos que ajudam a manter as silhuetas dos italianos. Regra máxima de uma "famiglia tradizionale" é comprar alimentos naturais, frescos, diretos de produtores em feiras a céu aberto ou em mercadões.

Não é difícil encontrar um mercado de produtores locais em qualquer cidade na Itália. 

"Apesar da cozinha italiana ser reconhecida no exterior por seus pratos bem calóricos, nossa dieta tradicional é a Mediterrânea (rica em frutas e vegetais)", explica a jornalista especializada em alimentação e comida do HuffPost Itália, Silvia Renda.

Nosso país é dono de uma das mais ricas e prósperas agriculturas de toda a Europa, e em nossa mesa sempre há espaço para produtos locais. Não apenas comprados em supermercados, mas comprados diretamente de produtores.

Nem comida congelada os restaurantes italianos podem servir sem informar previamente seus clientes. Neste mês, a Suprema Corte italiana decidiu que os restaurantes deverão especificar no menu quais de seus produtos são conservados no congelador, sob multa de 2 mil euros, e nos casos mais graves, prisão.

A experiência de comer bem 

Os italianos não só prezam pela qualidade dos alimentos, como também pela qualidade de tempo para apreciá-los. Diferentemente de outras culturas ocidentais, que com a correria do dia a dia acabam pulando refeições ou recorrem aos fast-food ou snack (quem nunca almoçou uma coxinha ou um miojo?), os italianos reservam o horário de almoço para sentar em uma mesa e comer com calma.

Assim como na Espanha, algumas cidades italianas também fazem a "siesta" e fecham qualquer estabelecimento (até igrejas!) para ter uma ou duas horas de descanso depois da refeição.

Mas não pense que tanto tempo serve para comer muito. Pelo contrário: eles param de comer quando estão satisfeitos e as porções não são enormes como as do Brasil. Muitas pessoas na Itália também não estão preocupados com as calorias que consomem, muito menos são consumidores assíduos de produtos diet e light. Para eles, o grande aliado de uma dieta saudável é a moderação. 

"Sim, eu como macarrão todos os dias. E, às vezes, como massa na entrada e, depois, ainda como uma carne no prato principal", disse Elizabeth Minchilli, americana que vive em Roma e autora do livro Eating Rome: Living the Good Life in The Eternal City ("Comendo em Roma: Levando uma Vida Saudável na Cidade Eterna", em tradução livre).

Ao Los Angeles Times, ela conta o segredo:

A massa que todos nós comemos vem em uma controlada porção. Quando o assunto é comer macarrão, italianos são bem conscientes. E aqui está uma simples fórmula a seguir: 100 gramas ou menos de massa por pessoa. Essa é uma porção que você nunca verá em um restaurante nos Estados Unidos.

Junto com as porções moderadas, eles também consomem muitos vegetais, mais carnes brancas do que vermelhas, como frango e peru, e boas gorduras, como azeite de oliva extravirgem.

Outra coisa interessante é o respeito à sazonalidade dos produtos, o que significa priorizar alimentos mais naturais (sem conservantes, nem agrotóxicos) em grande variedade em todas as estações do ano.

"Os italianos preferem alimentos orgânicos e a dieta varia com as estações do ano, focando nos produtos sazonais", diz a italiana Silvia Renda, jornalista especializada em alimentação e comida do HuffPost Itália. Segundo Renda, nos últimos anos, cresceu a curiosidade por comidas mais exóticas e novos sabores. "Há interesse em experimentar novos alimentos artesanais, em vez de comidas pré-preparadas."

Xô, preguiça

Além de manter uma alimentação balanceada e preferir produtos frescos e comidas feitas em casa, os italianos também levam uma vida ativa. Quando estive na Europa, pouco tempo atrás, me impressionei com o quanto as pessoas preferem caminhar e andar de bicicleta. E na Itália é exatamente assim.

Por centenas de motivos (como falta de segurança e falta de infraestrutura urbana), os brasileiros andam pouco pelas ruas e preferem usar meios de transporte para ir a lugares -- completamente diferente dos europeus. Não é difícil encontrar pessoas indo para o trabalho a pé, indo ao supermercado, padaria, entre outros lugares rotineiros.

Um estudo da Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, mostrou que os brasileiros são uma das nacionalidades mais "preguiçosas" do mundo. Obtendo dados dos celulares da população mundial, a pesquisa mediu a média do número de passos dos diferentes países, e o Brasil ficou muito abaixo da média.

Na lista com 46 países, liderada por Hong Kong (6.880 passos, em média, por habitante), a Itália aparece em 13º lugar entre os países mais ativos do mundo, com 5.296 passos por pessoa. Já o Brasil está na 40ª posição, com uma média de 4.289 passos.

Depois de tantos cuidados com alimentação e bem-estar, saborear uma massa al dente com molho pesto, acompanhada por uma taça de vinho italiano, vai parecer que, de fato, você está seguindo à risca sua nova dieta. Sem peso na consciência.

Nessun commento:

Posta un commento